Às coisas boas da vida… - Gula - 01/01/08
Às coisas boas da vida…
Para celebrar os 18 anos da Babette, confrades e ex-confrades encontraram-se no início de dezembro
Por Cristiana Menichelli
Foto: Ricardo d’Angelo
Confrades e ex-confrades reuniram-se para celebrar os 18 anos da Amigos de Babette

Dezoito anos atrás, um grupo de seis amigos de São Paulo resolveu montar uma confraria que tivesse como objetivo a diversão. Usaram como pretexto a comida, eram na maioria publicitários, apreciadores da boa cozinha e com jeito e vontade para exercitar suas habilidades no forno e fogão. Inspirados no premiado filme dinamarquês A Festa de Babette, lançado no Brasil com grande sucesso naquele ano de 1989, eles fundaram a Amigos de Babette. As animadas reuniões eram itinerantes, aconteciam semanalmente em cozinhas emprestadas. “Dessa época, ficaram imortalizadas as jam sessions encenadas por Ricardo Scalamandré ao piano e Raul Pinto no sax, que fechavam a noite em grande estilo”, diz o ex-”babetteano” e um dos fundadores István Wessel.
Com o tempo, a associação ganhou uma sede - atualmente fica num sobrado na Avenida Nova Faria Lima - e novos membros, os encontros tornaram-se quinzenais, sempre às terças-feiras. Mas algumas coisas nunca mudaram. Os 20 “babetteanos” na ativa continuam fiéis amantes da cozinha. O grupo diversificou, muitos são executivos, há arquitetos, médicos e publicitários. Em cada reunião, três deles cozinham e são responsáveis pelos vinhos. Um se encarrega da entrada, o outro do prato principal e o terceiro da sobremesa. Não se repete receita, e tudo precisa ser feito no dia. “Está no estatuto da confraria, que também determina que não se deve discutir política nem religião durante o jantar”, explica Luis F. De Lucia, presidente da Babette. “Vale contar piada”, diz Ennio Federico, confrade da ala antiga. Outro hábito adotado há anos é encerrar a refeição com charuto. As mulheres são convidadas a participar em apenas duas ocasiões: no jantar do Dia dos Namorados e no de fim de ano.
O ambiente descontraído e alegre reinante em todas as reuniões foi comentado no editorial da revista La Cucina Italiana. “Mais importante que cozinhar é saber conviver”, afirma Donald Mac Nicol, outro integrante dos primeiros anos da confraria. Hoje, sobram histórias memoráveis, além de um arsenal de receitas - só o banquete do filme foi reproduzido ao menos quatro vezes. Outro grande feito culinário repetiu-se em alguns jantares em que foram servidos embutidos elaborados pelos próprios confrades. Houve até prosciutto cru, vistoriado por um inspetor técnico vindo diretamente de Parma, na Itália.
Para celebrar os 18 anos da Babette, confrades e ex-confrades encontraram-se no início de dezembro, no restaurante paulistano Santo Colomba. O menu do jantar de aniversário foi preparado pelo chef Alencar: ravioli de ricotta ao funghi, codornas recheadas com funghi e manteiga de trufas e pavê gelado de limão com calda de caramelo. Unidos pela comida, os “babetteanos” seguem festejando o prazer, mantendo o espírito eternamente jovem da confraria. Vida longa às coisas boas da vida…
Publicada na edição 183 (Janeiro/2008) da Gula